Transcende
Feito agora…
Transcende
A memória falhando, esvaindo…O que restou não passa de imagens congeladas, emolduradas em sangue
Que dor? Que medo? Que certeza? Nada mais resta, apenas a inércia em que me encontro
Inerte…Não sei onde, e à espera…Não sei de que
Tento organizar os pensamentos com o pouco de lucidez que me resta, tento formular palavras, frases
Mas nada sai além de um gemido interrompido pela falta de força…Que agora não sinto mais.
A escuridão, o frio, essa umidade e o cheiro de mofo
Cada qual de distinta forma mexe com meus sentidos, com o pouco que me resta deles
Essa sensação de não sentir nada…essa leveza na alma, esse peso no coração
Os sons estão longe, não consigo dizer se são risadas ou lamentos
O frio aumenta, a umidade também…Esse odor de sangue…Que agora não sinto mais.
Luzes, sombras, figuras desformes, falta de foco, enxergo apenas turvo
Quanto tempo me resta? Quanto tempo se passou?
Por quanto tempo irá durar este final de morte? Ou início de vida?
Por que não vens logo ao meu encontro?
Qual o prazer do meu sofrer…da minha dor…Que agora não sinto mais.
Finalmente alguém chega, finalmente tudo terá fim
Direi adeus a todos os tormentos de minha vida e também a todas as alegrias
Nada levarei, nem dores e nem sorrisos, começarei tudo de novo…
Um som, uma voz, algo que não consigo entender
Esse calor em minhas mãos, em meu peito, em minha boca
Essa pressão suave em meus lábios, esse cheiro inebriante…
Um pouco de força e por reflexo abro os olhos
Mas a luz confunde a vista embaçada, quem é?
Apenas um vulto ainda, mas amo-te, doce rosa…
(Marcelo Henriques Cortez – RJ, 13 de Fevereiro de 2007)
Putrefato
Putrefato
O céu acima e o mar, seu espelho, abaixo
Cúmplices em sua solidão
Com sua combinação perfeita de luz e escuridão,
Tão perfeita essa harmonia…
Perfeição que me causa inveja.
Contemplo o céu, observo as estrelas…
Gostaria de pedi-las que não brilhassem mais,
Pois o seu brilho somente serve para iluminar a minha solidão.
Esse vazio em que me tornei,
Nada mais quer se não continuar vazio.
É tua felicidade ver minhas lágrimas?
Então brinda-as como quem brinda a chegada de uma nova vida,
Aquece-te com o frio em minha alma
como se fosse um cobertor para teu corpo,
Ilumina-te com a minha escuridão e segue assim tua vida,
Teu medíocre jeito de viver, de respirar.
Sente apodrecer teu corpo tal qual tua alma,
Sente o veneno que passa em teu coração e corrói tuas veias.
Sente a fraqueza tomar-te por completo.
(Marcelo Henriques Cortez – RJ, 06 de Janeiro de 2007)
Doce Fel
Preciso passar para o computador algusn textos mais recentes, mas de qualquer maneira preciso escrever mais ¬¬ meus textos são todos antigos.
Doce Fel
Sei que amar é o mesmo que sofrer.
Sei que quem ama chora, sofre e morre
Um pouco mais a cada dia.
Não venhas inebriar-me com este veneno
Com esse suave gosto de mel
E esse forte gosto de fel.
Tua pele tão perfumada,
Tua face tão angelical,
Teu beijo tão suave,
Não são nada se não artimanhas
Artimanhas desse amor, maldito amor
Artimanhas para ludibriar-me,
Para fazer-me cair…
Sei que amar é o mesmo que sofrer.
Sei que quem ama chora, sofre e morre
Um pouco mais a cada dia.
Mas deixo-me enganar,
Deixo-me cair…
Derrama sobre mim o mel
Para que no fim não reste nada além do fel,
Mas derrama-o rápido,
Pois tenho medo de sofrer
E tenho pressa em morrer.
(Marcelo Henriques Cortez – RJ, 01 de Dezembro de 2005)




