Mórbido
Bom, um texto antigo que eu resolvi postar. Apesar de ser bem antigo e eu normalmente não gostar dos meus textos antigos, por esse eu tenho um carinho especial, é um dos meus “xodós” porque teve uma aceitação legal entre as pessoas para quem mostrei e foi um texto que sintetizou bem como eu me sentia na época.
Mórbido
Sinto-me sufocado…
Pelo fogo…do amor
Pelos fantasmas…do passado
Pelo odor da carniça…do meu corpo
Túmulos sombrios
Sepulcros frios e solitários
Trevas da noite
Vós que trazem…e levam…tantos
Natureza, que mãe és tu?
Que crias o homem
E o destróis,
O reduzes a simples comida de vermes
E os trazes de volta
Pelos filhos…sementes
Para que crias?
Já dizia Augusto em “Poema Negro”:
“Tu não és minha mãe, velha nefasta!”
Quem és tu então?
Que crias coisas tão diversas
Como a luz do dia
E o breu das trevas?
A alegria da vida
E a tristeza da morte?
A inocência da criança
E a maldade do adulto?
O calor do amor
E o frio da solidão?
…aliás, não eram estas últimas,
Coisas diferentes?
(Rio de Janeiro, 03 de Junho de 2002)





Luciano disse,
Julho 18, 2007 às 4:31 pm
Muito bacana, apesar de mórbido.
Lamúrias são frutos de sentimentos que temos, assim como exaltações e esperanças… Enfim, o outro lado da “balança”. Nossa busca ideal pelo equilíbrio tem de considerar certa “beleza” em tudo quanto é sentido.
Parabéns!
Belo “xodó.”
Usarei em minha lápide e… processe-me se não o quiser.